sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Entre Métodos e Princípios...

Métodos podem existir um milhão e até muitos mais, mas os princípios são poucos. . .  
O homem que aplica métodos, ignorando princípios, certamente terá problemas.
 

Ralph Waldo Emerson

As to methods there may be a million and then some, but principles are few . . . The man who tries methods,ignoring principles, is sure to have troubles.
Ralph Waldo Emerson 

Citação extraida de:  An Ongoing Dialogue on Climate Change: The Boulder Manifesto, by Robert Harriss
Houston Advanced Research Center

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Quase 25% do solo do planeta já sofreu alguma deterioração

SABINE RIGHETTI
FOLHA DE SÃO PAULO

O problema ambiental não está apenas na água ou no ar. De acordo com um relatório da Nações Unidas, 24% do solo do planeta já sofreu algum tipo de deterioração.

A informação é do relatório anual do Unep (Programa de Ambiente das Nações Unidas), divulgado ontem.

O texto mostra que práticas recentes (nos últimos 25 anos) especialmente na atividade agrícola têm estragado e poluído o solo em diversas partes do planeta.

De acordo com o documento, a erosão provocada pela agricultura é até cem vezes mais intensa do que o processo erosivo "natural" do solo.

O problema disso é que o solo com erosão perde uma quantidade significativa de carbono para atmosfera.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Seu tempo é limitado...

Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não fique preso aos dogmas - que é viver pelos resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixe que o ruído da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante, tenha coragem de seguir seu coração e intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar.  

Tudo o mais é secundário.
 
~ Steve Jobs

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Bomba biótica: Florestas como produtoras de chuva

Entrevista com Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva no Mongabay.com



Nota do Blog: Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva são dois físicos teóricos Russos que propõem fundamentos físicos quantitativos (e deterministicos) para a regulação planetaria mediada pela vida. Pode-se dizer que enquanto Lovelock e Margulis foram os Copernicos da nova Ciência do Sistema Terrestre, estes cientistas Russos desempenham papel semelhante a Kepler e Newton, atribuindo uma formalização fundamentada nas leis físicas da Natureza para mecanismos de auto-regulacao do clima planetario, similares aqueles propostos na teoria de Gaia. Em 2006 eles desenvolveram uma nova teoria segundo a qual as florestas seriam geradoras indiretas de chuvas, através dos ventos carreadores de umidade para o interior dos continentes, a teoria da bomba biótica. Mais recentemente, aprofundaram e aperfeiçoaram sua teoria, focando na condensação do vapor d'água na atmosfera como o principal fenômeno gerador de gradientes de pressão, e com isso na formação dos ventos (Where do winds come from?). Este ultimo trabalho gerou extensa e aprofundada discussão em blogs científicos, com mais de 1000 comentarios de especialistas, inclusive meteorologistas (veja um exemplo em Momentary Lapse of Reason). Na entrevista abaixo, algumas perguntas candentes são respondidas por eles - perdão, somente respostas em ingles, clique no numero da pergunta para acessar as respostas re-postadas no site dos cientistas Russos, ou veja a entrevista inteira no mongabay.com, link abaixo -. Bom proveito.


O texto completo (em ingles) com resumo editorial: Nova teoria meteorológica afirma que as florestas do mundo são geradoras de chuva. (01 Fverereiro, 2012).

1.>> Poderiam nos dizer como funciona a bomba biótica

2.>> Por que vocês associam a bomba biótica com florestas naturais ao invés de com espécies de árvores individuais? Não pode uma plantação homogenea de árvores funcionar como bomba biótica


3.>> Houveram ao longo dos últimos anos mudanças significativas na sua teoria da bomba biótica


4.>> Vocês constataram uma maior aceitação da sua teoria na comunidade científica 


5.>> Poderiam dar um exemplo de porque está errada a compreensão atual da condensação e da precipitação


6.>> Evidências recentes ligaram o declínio e queda da civilização Maya ao desmatamento, levando a uma menor precipitação. Como poderia a teoria da bomba biótica estar conectada a isso


7.>> Como vocês vêem o impacto do desmatamento na Amazônia  para a precipitação regional?


8.>> Como acham que o desmatamento generalizado afetará o ciclo hidrológico de lugares 

como as ilhas da Indonésia? Dado o seu tamanho menor, elas precisam da bomba biótica?
 
9.>> A teoria da bomba biótica é tambembaplicável às florestas boreais, como as da Rússia


10.>> A teoria da bomba biótica modifica nossa compreensão atual da mudança climática global


11.>> Que mudanças de políticas a teoria biótica sugere para os governos em todo o mundo?



Gorshkov e Makarieva convidam para discutir estas questoes em seu Blog Stormy Science .

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Samaúma, de mãe da Humanidade a recheio de compensado


Ana Lucia Azevedo e Ricardo Grandelle
Publicado:
A castanheira solitária em Humaitá, no Amazonas: paisagem da desolação
A castanheira solitária em Humaitá, no Amazonas: paisagem da desolação

RIO - Para dezenas de tribos indígenas a samaúma é sagrada, cultuada como a mãe da Humanidade. Trata-se da mais alta árvore da Amazônia, chegando a 65 metros. Sua copa grandiosa abriga um pequeno ecossistema. Mas nada disso importa para os madeireiros. Sua derrubada é indiscriminada e a madeira, considerada de baixa qualidade, é usada em compensados. A espécie tem sido tão explorada que poderá não sobreviver.

A samaúma é uma gigante delicada. Sua reprodução depende de caprichos. Um deles é o tempo: o florescimento acontece em períodos irregulares - pode demorar até sete anos. Durante este processo, a árvore produz uma grande quantidade de flores brancas, que duram apenas uma noite.
A partir daí, a reprodução depende de morcegos. Em bando, eles deslocam-se entre as samaúmas para colher o néctar. Os animais sujam o pêlo com o pólen, que, assim, acompanha-os de uma árvore à próxima, fecundando as flores. É por meio desse transporte que as árvores cruzam umas com as outras.
- Mas o aumento da distância entre as samaúmas tem feito o morcego desistir das viagens - explica Rogério Gribel, diretor de pesquisa científica do Jardim Botânico. - As árvores ficam isoladas reprodutivamente, diminuindo a produção de frutas e sementes.

Separada das demais, a árvore fecunda a si própria para garantir novas sementes. Desse modo, porém, não há troca de material genético entre as samaúmas. Quanto menor for esta variedade, mais difícil será a adaptação da espécie às mudanças climáticas.

Nem sempre a samaúma viu-se encurralada pela devastação. A árvore, segundo seus pesquisadores, é uma colonizadora nata. Suas sementes, protegidas por um conjunto de fibras, são dispersas pela água ou por vendavais. Foi por uma dessas formas que a planta, há milhões de anos, chegou à África.
- Comparamos geneticamente as populações para testar a hipótese de que as árvores já existiam na África desde que o continente era unido à América - diz Gribel, que coordenou o projeto pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. - Mas o nível de diferenciação entre as espécies foi muito pequeno. Então, provavelmente houve um evento raríssimo, que é a dispersão de um continente para o outro, quando suas terras já eram separadas pelo Atlântico.

A samaúma, assim como o mogno, aguarda um programa de proteção, imprescindível para controlar o seu corte. Até agora, no entanto, é mais provável que os índios fiquem sem um dos seus símbolos mais sagrados - e as florestas de várzea percam uma espécie cuja majestade não serviu de proteção.

Castanheira, uma antiga parceira do homem

A castanheira é tudo de bom. Vem dela um dos mais conhecidos símbolos da Amazônia, a castanha-do-Brasil (antes chamada castanha-do-Pará), a única semente de florestas nativas vastamente comercializada no mundo. Os imensos castanhais muitas vezes são a principal fonte de renda de comunidades amazônicas. Majestosa, a castanheira alcança 50 metros de altura e sua copa pode cobrir outros 50 de diâmetro, lar de uma miríade de plantas e pequenos animais.

O diretor de pesquisa do Jardim Botânico do Rio, Rogério Gribel, recém-vindo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), passou anos estudando a complexa vida da castanheira. Para ele, a árvore é um dos maiores símbolos da Amazônia.

- Estudos arqueológicos recentes mostram que os povos indígenas e os castanhais têm uma antiga parceria. A castanha acompanha o ameríndio, que há séculos aprendeu como usar as sementes sem destruir a floresta e cuja intervenção facilitou a expansão dos castanhais - observa Gribel.
O problema é a ocupação recente. Queimadas destroem castanhais com milhares de árvores. E mesmo o chamado corte seletivo significa morte certa para uma espécie que detesta solidão.
- Quando isolada pelo desmatamento, a castanheira se transforma numa morta-viva. Ela precisa da floresta para viver - afirma Gribel.

A gigante de 50 metros depende de abelhas nativas da Amazônia para se reproduzir. Só essas grandes abelhas abrem a fechada flor da castanheira. Em suas idas e vindas pelos castanhais, as abelhas polinizam as árvores. Uma outra pequena criatura da floresta, a cutia, desempenha outro papel essencial.
- As cutias são as únicas que abrem o ouriço, o duríssimo fruto da castanheira. Ela come as sementes (a castanha) e depois de saciada, enterra mais algumas pela floresta, como provisão. Como as cutias não recuperam todas as sementes que enterram, algumas acabam por germinar - explica Gribel.
Para ir de semente a gigante de 50 metros, a castanheira pode levar 500 anos. Na Amazônia há árvores de 800 anos de idade. Segundo Gribel, a castanheira se adapta bem ao manejo e pode ser explorada de forma sustentável. Para isso, porém, é preciso treinar as comunidades de coletores. Há problemas na coleta, no armazenamento e no transporte. Mas todos têm solução, para o bem da floresta e da população.

O Código Florestal Russo, alterado em 2007, é uma advertência para o Brasil


O Brasil, que está no meio do processo de reformar seu Código Florestal, pode tirar lições da revisão feita em 2007 na lei de florestas da Rússia, dizem um par de cientistas russos.

Jeremy Hance
mongabay.com
December 19, 2011

 
O Senado brasileiro aprovou uma lei que pode relaxar algumas das disposições impostas aos proprietários rurais. Ambientalistas criticam a medida, argumentando que o novo Código Florestal - se não for vetado em 2012 pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff  - poderia prejudicar o progresso do país em reduzir o desmatamento.

Com base na experiência recente da Rússia, os cientistas Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva dizem que pode haver justificativa para preocupação.

Embora o Brazil tenha florestas tropicais e a Russia florestas boreais, ambas nações controlam algumas das maiores florestas do mundo, com um tendo implementado mudanças em grande escala - Rússia, enquanto o outro -Brasil- está na iminência de fazê-lo.

No início de 2007,
o novo Código Florestal da Rússia  entrou em vigor. O novo código foi feito para tranferir o controle sobre as florestas do governo federal para os governos regionais. O desenvolvimento das florestas poderia ocorrer agora sem qualquer Estudo de Impacto Ambiental (EIA), com as florestas vistas principalmente como commodities em vez de ecossistemas.



"O novo código florestal Russo foi criado para tomar o poder sobre a floresta dos antigos 'donos' (os funcionários que herdaram o controle florestal da União Soviética) e dá-lo aos novos empresários russos que organizaram-se em uma força no final dos anos 1990. Os membros da nossa elite política atual são conhecidos por participações em algumas das maiores empresas florestais no início dos anos 90. Nem os velhos nem os novos gestores realmente se importavam muito com a conservação da floresta, mas em termos comparativos, os antigos eram melhores",  afirmam os cientistas russos Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva, que abertamente se opõem as mudanças.

A transição entre o Código Florestal antigo para o novo foi muito tumultuada na Rússia, muitos assuntos foram deixados vagos na nova lei, permitindo o que Gorshkov e Makarieva descrevem como uma política florestal de "livre-para-todos" (pegue o que quiser e o que puder).


"Na prática o Código Florestal Russo veio a significar que todos puderam extrair num local tudo que quisessem, sem qualquer responsabilidade sobre as consequências ou a sustentabilidade. [...] O caos que se seguiu quando esta lei bruta foi adotada causou um pico na extração  ilegal de madeira. [...] A parte   norte europeia da Rússia foi afetada mais severamente, porque possue uma  rede de estradas mais densa do que digamos a Sibéria", dizem Gorshkov e Makarieva.


Durante o planejamento para aprovar a legislação do novo Código FlorestalGorshkov Makarieva, ambos pesquisadores do B.P. Konstantinov Petersburg Nuclear Physics Institute, escreveram duas cartas abertas ao governo "com advertências contra o novo Código Florestal." Gorshkov e Makarieva são conhecidos como os autores de uma teoria revolucionária e polêmica, segundo a qual as florestas funcionam como uma bomba para a precipitação, trazendo chuvas das zonas costeiras para os interiores continentais. Segundo eles, florestas, e não temperaturas, propelem o vento com umidade devido à condensação. Enquanto a teoria tem recebido muita rejeição de alguns meteorologistas, ela também tem despertado interesse entre  ambientalistas e outros cientistas.

Em suas cartas para o governo os pesquisadores advertiram que "a exploração ampliada da floresta irá perturbar o ciclo hidrológico na Rússia continental e previram secas drásticas entre outros extremos climáticos."



Três anos após a implementação do novo Código Florestal uma onda de calor recorde, secas e incêndios atingiram a Rússia, deixando Moscou sob um manto de fumaça, consumindo um quinto da globalmente importante safra de trigo da Rússia, e provavelmente matando milhares.

Para alguns pareceu que as advertências de Gorshkov e Makarieva tinham se materializado, fazendo com que os dois físicos aparececem como  Cassandras
modernos, como a profetisa de Tróia sempre correta, mas condenada a ser ignorada.

"Quando em 2010 a onda de calor desastroso atingiu a parte europeia do país, as nossas cartas foram amplamente citadas na Internet russa. Estamos convencidos de que as anomalias climáticas na Europa são decorrentes do
maciço desmatamento russo, o que perturbou o fluxo normal de umidade de Oeste para o Leste, do Atlântico para a Eurásia",
dizem Gorshkov e Makarieva .

 Ainda assim, as causas por trás da onda de calor recorde estão em debate: dois estudos recentes entraram em conflito sobre que papel a mudança climática pode ter desempenhado na onda de calor e seca.

Mas uma questão que não é controversa é como o novo Código Florestal da Rússia minou o manejo do fogo durante os desastres de 2010. A responsabilidade pela gestão de incêndios florestais passou do governo federal para os governos regionais, mas poucos haviam assumido sua responsabilidade.

"Não houveram grupos organizados para evitar a propagação do fogo". O resultado foi que perdemos vidas, propriedades e uma
grande área de floresta foi danificada",
disseram Gorshkov e Makarieva.
  
 Imagem da Rússia e em áreas próximas de 04 de agosto de 2010 pela NASA moderate Resolution Imaging Spectroradiometer durante a onda de calor russo em 2010, o que provocou secas e incêndios. Incêndios especialmente intensos são destacados em vermelho. Fumaça de turfa e os incêndios florestais levaram a níveis perigosos de poluição em toda Moscou e áreas adjacentes. 

No caso da Rússia o relaxamento das regulamentações sobre florestas levou à destruição em larga escala, uma situação ruim que foi agravada por uma lei vaga, que fez pouca referência aos direitos públicos e da comunidade sobre as florestas. Além disso, as pessoas tiraram vantagem da incerteza para derrubar mais florestas, visando lucro a curto prazo. Embora normas específicas sejam diferentes, e ainda que o desmatamento no total do ano tenha caido, no Brasil viu-se um súbito aumento no desmatamento da Amazônia em março de 2012, o que muitos observadores têm ligado com a mera possibilidade do permissivo novo Código Florestal tornar-se lei.

Dada a experiência da Rússia, surge a duvida, se o novo Código Florestal vier a tornar-se lei como o Brasil vai controlar aqueles que quiserem levar vantagem sobre a
temporária incerteza no governo?

Uma questão mais fundamental pode ser: é este o momento de afrouxar a regulamentação na Amazônia ou de fortalecê-la? Gorshkov e Makarieva argumentam com sua teoria que a
contínua perda  da floresta amazônica levará a seca generalizada, um problema que vem atormentando a Amazônia nos últimos anos.



"Em relação às conseqüências do desmatamento para o Brasil, o conceito de bomba biótica prevê flutuações drásticas e uma instabilidade crescente do ciclo hidrológico, com uma tendência para a desertificação. Estudos recentes (por exemplo, Espinoza et al. 2009) confirmam a queda de precipitação na bacia amazônica que é particularmente bem manifestada desde o início dos anos 1980. Alinhado com esta tendência, a Amazônia viu várias secas extraordinarias no curto prazo de 1998 a 2010", dizem eles.

Muitos ambientalistas advertem que esta situação poderia se tornar pior, alertando que o novo código proposto para o Brazil extingue regulamentos históricos
(mesmo que amplamente ignorados): o WWF estima que o Código Florestal revisado irá reduzir a cobertura florestal no Brasil em 76,5 milhões de hectares (765.000 quilômetros quadrados), uma área maior que o Texas. Essa perda pode tornar-se devastadora para fontes de água doce, biodiversidade e populações indígenas. Mas de acordo com Gorshkov e Makarieva a perda irá também agravar as condições de seca, talvez comprometendo o ecossistema da Amazônia inteira, resultando no abandono da agricultura brasileira à secura, sem ter para onde ir.