Métodospodem existirum milhão e até muitos mais,mas os princípiossão poucos... O homem queaplicamétodos, ignorandoprincípios,certamente teráproblemas. RalphWaldoEmerson
As to methods there may be a million and then some, but principles are few . . . The man who tries methods,ignoring principles, is sure to have troubles. Ralph Waldo Emerson
Citação extraida de: An Ongoing Dialogue on Climate Change: The Boulder Manifesto, by Robert Harriss
O problema ambiental não está apenas na água ou no ar. De acordo com um relatório da Nações Unidas, 24% do solo do planeta já sofreu algum tipo de deterioração.
A informação é do relatório anual do Unep (Programa de Ambiente das Nações Unidas), divulgado ontem.
O texto mostra que práticas recentes (nos últimos 25 anos) especialmente na atividade agrícola têm estragado e poluído o solo em diversas partes do planeta.
De acordo com o documento, a erosão provocada pela agricultura é até cem vezes mais intensa do que o processo erosivo "natural" do solo.
O problema disso é que o solo com erosão perde uma quantidade significativa de carbono para atmosfera.
Seu tempo élimitado, entãonão o desperdicevivendoa vida de outra pessoa.Nãofique preso aos dogmas- queé viver pelosresultados do pensamentode outras pessoas.Nãodeixe que o ruídoda opinião dos outroscale a suaprópria voz interior.E o mais importante,tenha coragem deseguir seu coração eintuição.Eles de alguma maneirajá sabem o quevocêrealmente quer se tornar.
Entrevista com Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva no Mongabay.com
Nota do Blog:Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva são dois físicos teóricos Russos que propõem fundamentos físicos quantitativos (e deterministicos) para a regulação planetaria mediada pela vida. Pode-se dizer que enquanto Lovelock e Margulis foram os Copernicos da nova Ciência do Sistema Terrestre, estes cientistas Russos desempenham papel semelhante a Kepler e Newton, atribuindo uma formalização fundamentada nas leis físicas da Natureza para mecanismos de auto-regulacao do clima planetario, similares aqueles propostos na teoria de Gaia. Em 2006 eles desenvolveram uma nova teoria segundo a qual as florestas seriam geradoras indiretas de chuvas, através dos ventos carreadores de umidade para o interior dos continentes, ateoria da bomba biótica. Mais recentemente, aprofundaram e aperfeiçoaram sua teoria, focando na condensação do vapor d'água na atmosfera como o principal fenômeno gerador de gradientes de pressão, e com isso na formação dos ventos (Where do winds come from?). Este ultimo trabalho gerou extensa e aprofundada discussão em blogs científicos, com mais de 1000 comentarios de especialistas, inclusive meteorologistas (veja um exemplo em Momentary Lapse of Reason). Na entrevista abaixo, algumas perguntas candentes são respondidas por eles - perdão, somente respostas em ingles, clique no numero da pergunta para acessar as respostas re-postadas no site dos cientistas Russos, ou veja a entrevista inteira no mongabay.com, link abaixo -. Bom proveito. O texto completo (em ingles) com resumoeditorial: Novateoriameteorológicaafirmaque as florestasdo mundo sãogeradoras de chuva.(01 Fverereiro, 2012).
1.>> Poderiam nos dizer comofunciona a bombabiótica? 2.>>Por que vocêsassociam abomba bióticacomflorestas naturaisao invés decomespécies de árvoresindividuais?Não podeuma plantação homogenea de árvores funcionar comobomba biótica? 3.>>Houveramao longo dos últimosanos mudanças significativas na sua teoriada bombabiótica? 4.>> Vocês constataramuma maior aceitação da suateoria na comunidade científica? 5.>>Poderiam dar umexemplo de porqueestá errada a compreensão atualda condensação e da precipitação? 6.>>Evidências recentesligaramo declínio equeda da civilizaçãoMaya ao desmatamento,levando a uma menorprecipitação.Como poderiaa teoriada bombabióticaestar conectada a isso? 7.>>Como vocês vêemo impacto do desmatamento na Amazônia para a precipitação regional? 8.>>Como acham queo desmatamentogeneralizadoafetará ociclo hidrológicode lugares comoas ilhas da Indonésia? Dado o seutamanho menor,elas precisamda bombabiótica? 9.>>A teoriada bombabióticaé tambembaplicável às florestasboreais, como as da Rússia? 10.>>Ateoria dabomba bióticamodificanossa compreensão atualda mudança climática global? 11.>>Que mudanças de políticasa teoriabióticasugere para os governosem todo o mundo?
Gorshkov e Makarieva convidam para discutir estas questoes em seu Blog Stormy Science .
A castanheira solitária em Humaitá, no Amazonas: paisagem da desolação
RIO - Para dezenas de tribos indígenas a samaúma é sagrada, cultuada como a mãe da Humanidade. Trata-se da mais alta árvore da Amazônia, chegando a 65 metros. Sua copa grandiosa abriga um pequeno ecossistema. Mas nada disso importa para os madeireiros. Sua derrubada é indiscriminada e a madeira, considerada de baixa qualidade, é usada em compensados. A espécie tem sido tão explorada que poderá não sobreviver.
A samaúma é uma gigante delicada. Sua reprodução depende de caprichos. Um deles é o tempo: o florescimento acontece em períodos irregulares - pode demorar até sete anos. Durante este processo, a árvore produz uma grande quantidade de flores brancas, que duram apenas uma noite.
A partir daí, a reprodução depende de morcegos. Em bando, eles deslocam-se entre as samaúmas para colher o néctar. Os animais sujam o pêlo com o pólen, que, assim, acompanha-os de uma árvore à próxima, fecundando as flores. É por meio desse transporte que as árvores cruzam umas com as outras.
- Mas o aumento da distância entre as samaúmas tem feito o morcego desistir das viagens - explica Rogério Gribel, diretor de pesquisa científica do Jardim Botânico. - As árvores ficam isoladas reprodutivamente, diminuindo a produção de frutas e sementes.
Separada das demais, a árvore fecunda a si própria para garantir novas sementes. Desse modo, porém, não há troca de material genético entre as samaúmas. Quanto menor for esta variedade, mais difícil será a adaptação da espécie às mudanças climáticas.
Nem sempre a samaúma viu-se encurralada pela devastação. A árvore, segundo seus pesquisadores, é uma colonizadora nata. Suas sementes, protegidas por um conjunto de fibras, são dispersas pela água ou por vendavais. Foi por uma dessas formas que a planta, há milhões de anos, chegou à África.
- Comparamos geneticamente as populações para testar a hipótese de que as árvores já existiam na África desde que o continente era unido à América - diz Gribel, que coordenou o projeto pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. - Mas o nível de diferenciação entre as espécies foi muito pequeno. Então, provavelmente houve um evento raríssimo, que é a dispersão de um continente para o outro, quando suas terras já eram separadas pelo Atlântico.
A samaúma, assim como o mogno, aguarda um programa de proteção, imprescindível para controlar o seu corte. Até agora, no entanto, é mais provável que os índios fiquem sem um dos seus símbolos mais sagrados - e as florestas de várzea percam uma espécie cuja majestade não serviu de proteção.
Castanheira, uma antiga parceira do homem
A castanheira é tudo de bom. Vem dela um dos mais conhecidos símbolos da Amazônia, a castanha-do-Brasil (antes chamada castanha-do-Pará), a única semente de florestas nativas vastamente comercializada no mundo. Os imensos castanhais muitas vezes são a principal fonte de renda de comunidades amazônicas. Majestosa, a castanheira alcança 50 metros de altura e sua copa pode cobrir outros 50 de diâmetro, lar de uma miríade de plantas e pequenos animais.
O diretor de pesquisa do Jardim Botânico do Rio, Rogério Gribel, recém-vindo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), passou anos estudando a complexa vida da castanheira. Para ele, a árvore é um dos maiores símbolos da Amazônia.
- Estudos arqueológicos recentes mostram que os povos indígenas e os castanhais têm uma antiga parceria. A castanha acompanha o ameríndio, que há séculos aprendeu como usar as sementes sem destruir a floresta e cuja intervenção facilitou a expansão dos castanhais - observa Gribel.
O problema é a ocupação recente. Queimadas destroem castanhais com milhares de árvores. E mesmo o chamado corte seletivo significa morte certa para uma espécie que detesta solidão.
- Quando isolada pelo desmatamento, a castanheira se transforma numa morta-viva. Ela precisa da floresta para viver - afirma Gribel.
A gigante de 50 metros depende de abelhas nativas da Amazônia para se reproduzir. Só essas grandes abelhas abrem a fechada flor da castanheira. Em suas idas e vindas pelos castanhais, as abelhas polinizam as árvores. Uma outra pequena criatura da floresta, a cutia, desempenha outro papel essencial.
- As cutias são as únicas que abrem o ouriço, o duríssimo fruto da castanheira. Ela come as sementes (a castanha) e depois de saciada, enterra mais algumas pela floresta, como provisão. Como as cutias não recuperam todas as sementes que enterram, algumas acabam por germinar - explica Gribel.
Para ir de semente a gigante de 50 metros, a castanheira pode levar 500 anos. Na Amazônia há árvores de 800 anos de idade. Segundo Gribel, a castanheira se adapta bem ao manejo e pode ser explorada de forma sustentável. Para isso, porém, é preciso treinar as comunidades de coletores. Há problemas na coleta, no armazenamento e no transporte. Mas todos têm solução, para o bem da floresta e da população.
O Brasil,que está no meio do processo dereformarseu CódigoFlorestal,pode tirar lições da revisãofeita em 2007 na lei de florestas da Rússia, dizem um par decientistas russos.
OSenado brasileiroaprovou uma lei que pode relaxaralgumas dasdisposiçõesimpostas aosproprietários rurais. Ambientalistascriticama medida,argumentando que onovo Código Florestal-se não forvetado em 2012 pelapresidente do Brasil,DilmaRousseff -poderia prejudicaro progresso do paísem reduzir o desmatamento.
Com base na experiênciarecente da Rússia, os cientistas VictorGorshkoveAnastassiaMakarievadizem que pode haverjustificativa para preocupação.
Embora o Brazil tenha florestas tropicaise a Russia florestasboreais, ambas nações controlam algumasdas maiores florestas do mundo, com um tendo implementadomudançasem grande escala - Rússia, enquantoo outro -Brasil- está na iminência de fazê-lo.
No iníciode 2007,o novo CódigoFlorestalda Rússiaentrou em vigor. O novo códigofoi feito paratranferiro controle sobreas florestasdo governo federalpara os governosregionais.O desenvolvimento das florestas poderiaocorrer agora sem qualquer Estudo de Impacto Ambiental(EIA), com as florestasvistasprincipalmente comocommoditiesem vez deecossistemas.
"O novo código florestalRusso foi criado paratomar o podersobre a florestadosantigos'donos' (os funcionários que herdaram o controleflorestalda União Soviética) e dá-lo aosnovos empresáriosrussosque organizaram-se em uma forçanofinal dos anos1990.Os membros da nossaelitepolítica atual são conhecidos por participações emalgumas dasmaiores empresasflorestais noinício dos anos 90. Nem osvelhos nemos novos gestoresrealmentese importavam muito coma conservação da floresta, mas em termos comparativos,os antigoseram melhores",afirmam os cientistas russosVictorGorshkoveAnastassiaMakarieva, que abertamentese opõemas mudanças.
A transição entreo Código Florestalantigo para onovofoi muito tumultuada na Rússia,muitos assuntosforamdeixados vagosna nova lei, permitindo o queGorshkoveMakarievadescrevem como umapolítica florestal de "livre-para-todos" (pegue o que quiser e o que puder).
"Na prática o Código Florestal Russo veio a significarque todos puderam extrair num localtudo que quisessem, semqualquer responsabilidade sobreas consequências ou a sustentabilidade.[...]O caosque se seguiuquando esta lei bruta foi adotadacausou um pico na extração ilegal de madeira.[...]A parte norte europeiada Rússia foiafetadamais severamente,porque possue uma rede deestradas mais densa do quedigamos aSibéria",dizem GorshkoveMakarieva.
Duranteo planejamentopara aprovar a legislação do novo Código Florestal, GorshkovMakarieva, ambos pesquisadores do B.P. KonstantinovPetersburgNuclearPhysicsInstitute,escreveramduas cartas abertasao governo"com advertências contra onovo Código Florestal."GorshkoveMakarievasão conhecidos comoos autoresde uma teoriarevolucionária epolêmica, segundo a qual as florestasfuncionam comouma bombapara a precipitação, trazendo chuvasdas zonascosteiraspara os interiores continentais. Segundo eles,florestas, e não temperaturas,propelem o vento com umidade devidoà condensação.Enquanto a teoriatem recebido muitarejeição de alguns meteorologistas, ela também temdespertadointeresseentre ambientalistase outros cientistas.
Em suascartas parao governoos pesquisadores advertiram que"a exploração ampliada da floresta iráperturbar o ciclohidrológico naRússiacontinentale previramsecasdrásticasentreoutrosextremos climáticos."
Três anosapós a implementação donovo CódigoFlorestal, uma onda de calor recorde, secas e incêndiosatingirama Rússia, deixando Moscou sobum manto defumaça, consumindo um quinto daglobalmenteimportante safrade trigoda Rússia, eprovavelmentematandomilhares.
Para alguns pareceuque as advertênciasde GorshkoveMakarievatinham se materializado, fazendo com que os dois físicosaparececem comoCassandras modernos, como a profetisa de Tróiasempre correta, mas condenada aserignorada.
"Quandoem 2010a onda de calordesastrosoatingiu aparteeuropeia do país, as nossas cartas foramamplamente citadasnaInternetrussa.Estamos convencidos de queasanomalias climáticasna Europa são decorrentes do maciçodesmatamentorusso, o que perturbouo fluxo normal deumidade de Oeste para o Leste, do Atlânticopara a Eurásia",dizem GorshkoveMakarieva.
Ainda assim,as causaspor trás daonda de calorrecordeestãoem debate: dois estudos recentesentraram em conflitosobre que papel amudança climáticapode ter desempenhadona onda de caloreseca.
Mas umaquestão que nãoé controversaé comoo novo CódigoFlorestalda Rússiaminouo manejo do fogodurante osdesastresde 2010.A responsabilidade pelagestão deincêndios florestaispassoudo governo federalpara os governosregionais, mas poucoshaviam assumido sua responsabilidade.
"Não houveram grupos organizadospara evitar a propagaçãodo fogo". O resultado foi que perdemos vidas, propriedades euma grande área de florestafoi danificada", disseram GorshkoveMakarieva.
Imagemda Rússiae em áreas próximasde04 de agosto de 2010pelaNASA moderate Resolution ImagingSpectroradiometerdurantea onda de calorrussoem 2010, o que provocousecas e incêndios. Incêndiosespecialmenteintensos sãodestacados em vermelho.Fumaçade turfae os incêndios florestaislevaram a níveisperigosos de poluiçãoem todaMoscou eáreas adjacentes.
No casoda Rússia orelaxamento das regulamentaçõessobre florestaslevou àdestruição em larga escala, uma situação ruim quefoiagravadapor uma leivaga, que fez pouca referênciaaos direitospúblicose da comunidadesobre as florestas. Além disso, as pessoas tiraram vantagem daincertezapara derrubar maisflorestas, visandolucro a curto prazo. Embora normas específicas sejam diferentes, e ainda que o desmatamento nototal do ano tenha caido, no Brasil viu-se umsúbito aumento nodesmatamento da Amazônia em março de 2012, o que muitos observadorestêm ligadocoma mera possibilidade do permissivo novoCódigo Florestaltornar-se lei.
Dada a experiênciada Rússia,surge a duvida, se o novo Código Florestalvier a tornar-selei comoo Brasil vaicontrolar aqueles que quiserem levarvantagem sobrea temporária incerteza no governo?
Umaquestão mais fundamentalpode ser:é esteo momento deafrouxar a regulamentação na Amazôniaou de fortalecê-la? GorshkoveMakarievaargumentam com suateoria quea contínua perdada floresta amazônicalevará aseca generalizada, um problema quejá vem atormentando aAmazônianos últimos anos.
"Em relação àsconseqüências do desmatamentopara o Brasil, o conceito de bomba bióticaprevêflutuaçõesdrásticase umainstabilidadecrescentedo ciclo hidrológico, com uma tendênciapara a desertificação. Estudos recentes (por exemplo,Espinozaetal.2009) confirmama quedade precipitaçãona bacia amazônicaque éparticularmente bemmanifestadadesde oinício dos anos 1980.Alinhado com estatendência, a Amazônia viuváriassecas extraordinarias nocurto prazode 1998 a 2010", dizem eles.
Muitos ambientalistas advertem que esta situação poderia se tornarpior, alertando que o novo código proposto para o Brazil extingue regulamentos históricos(mesmo queamplamenteignorados):o WWFestima que oCódigo Florestalrevisadoirá reduzira cobertura florestalno Brasil em76,5 milhões dehectares(765.000quilômetros quadrados), uma área maior que o Texas.Essa perdapode tornar-se devastadora parafontes de água doce, biodiversidade e populações indígenas.Mas de acordo comGorshkoveMakarieva a perda irátambém agravar as condiçõesde seca, talvez comprometendooecossistema da Amazôniainteira, resultando no abandono da agricultura brasileiraà secura, sem ter para onde ir.